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Site do Prof. Omar Carline Bueno

Criação e Produção Audiovisual - Teoria e Prática

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07/02 - T - Aula inaugural / Plano de Ensino / Bibliografia / Disciplinas Online / DPs / APS / ED / AtC / Faltas / Sorteio dos integrantes das agências / Criação de roteiro para filme Curta Metragem (máximo 10 minutos - Tema livre). Exemplos de Roteiros:

http://www.roteirodecinema.com.br/roteiros/curtas.htm


14/02 - CARNAVAL

21/02 - (DATA SHOW + SOM) - O COMERCIAL DE TELEVISÃO01 - Larry ELIN& Alan LAPIDES - Ed. Bossa nova - Os comerciais de televisão e as pessoas que os produzem / Uma Campanha para a presidência / Doyle Dane Bernbach / Comercial da margarida / Um comercial de televisão / Produção de comerciais / Na criação e produção de comerciais / Tipos de comerciais existentes / O comercial voltado para vendas / O comercial voltado para a construção de imagens / Os anúncios de utilidade pública / A veiculação dos comerciais / A mensagem central de um comercial / O importante na criação de um comercial / O conceito e o tema / A linguagem visual na criação de um comercial / O COMERCIAL DE TELEVISÃO02 - Larry ELIN& Alan LAPIDES - Ed. Bossa nova - O comercial de televisão / Existem basicamente três tipos / O comercial voltado para as vendas / Seu objetivo / O comercial voltado para a construção de imagem / O comercial voltado para a utilidade pública / Seu objetivo / Intenção dos comerciais / Os comerciais locais mais comuns / As lojas de móveis, alimentos, roupas e revenda de automóveis

28/02 - P - (DATA SHOW) Apresentação do roteiro do Curta metragem

07/03 - (DATA SHOW) / Finalidade de alguns comerciais / Os comerciais voltados para a construção de imagens / O seu objetivo / Ainda há muito o que descobrir a respeito da mente do consumidor / Propagandas políticas / Objetivo / Stephanie Miner / Estratégia de criação e mídia da campanha / Slogan / Nas propagandas de Miner / Depoimento / Campanha de Miner / Propaganda de lançamento de um novo produto ou de construção de sua imagem / Os anúncios de utilidade pública / As propagandas políticas / Os anúncios de utilidade pública / O comercial de televisão / Propaganda / Mix de comunicação / A comunicação / O planejamento de um comercial / Propaganda de trânsito / Os principais anunciantes / Empresas tradicionais / O ponto de partida da empresa / Perfil do consumidor / A estratégia de marcas / Estratégias de marcas / O mix de comunicação de um produto / Anunciantes que vendem produtos e serviços em escala nacional / Comerciais de veiculação nacional / Gastos com mídia / Os comerciais veiculados em escala nacional

14/03 -  P - Produção do curta metragem (Orientação)

21/03 - (DATA SHOW) - O COMERCIAL DE TELEVISÃO03 - Larry ELIN& Alan LAPIDES - Ed. Bossa nova - Os componentes básicos de um comercial - Componentes básicos de todos os tipos de comerciais / A mensagem / O conceito / O tema / A linguagem visual / Mensagem central / O tema / A história é contada por meio de uma linguagem visual / O uso da linguagem visual / O público-alvo / Demais critérios / Proposição única de venda / O conceito / O tema / Low-angle-shot / O COMERCIAL DE TELEVISÃO04 - O Comercial de Televisão na Sociedade

28/03 - P -  Entrega do curta metragem / Criação do roteiro para comercial de TV do produto trabalhado em ano anterior (30'') e Storyboard

04/04 - PROVA NP1

11/04 - T - (DATA SHOW) - Correção da Prova B1 / O COMERCIAL DE TELEVISÃO05 - Um fenômeno sociocultural

18/04 - P - Apresentação do storyboard

25/04 - T - (DATA SHOW) - O COMERCIAL DE TELEVISÃO06 - Lições sobre persuasão / ROTEIRO DE CINEMA E TELEVISÃO01 - Vida, história e narrativa / ROTEIRO DE CINEMA E TELEVISÃO02 - Perceber, inferir e imaginar / ROTEIRO DE CINEMA E TELEVISÃO03 - Imaginar uma estória

02/05 - (DATA SHOW) - ROTEIRO DE CINEMA E TELEVISÃO04 - Narrador, ponto de vista e ponto de foco / ROTEIRO DE CINEMA E TELEVISAO05 - Gêneros de estória e gêneros de narrativa

09/05 - (DATA SHOW + SOM) - ROTEIRO DE CINEMA E TELEVISAO - De AÇÃO a CÂMERA OBJETIVA / ROTEIRO DE CINEMA E TELEVISAO - De CÂMERA SUBJETIVA a COSTURA / ROTEIRO DE CINEMA E TELEVISAO - De CRISE a ESTRANHAMENTO

16/05 - Entrega do comercial em mídia personalizada e apresentação em sala -

23/05 - (DATA SHOW + SOM) - ROTEIRO DE CINEMA E TELEVISAO - De EVENTO a GRADAÇÃO - ROTEIRO DE CINEMA E TELEVISAO - De HAPPY END a INSERT / ROTEIRO DE CINEMA E TELEVISAO - De IRONIA DRAMÁTICA a METALINGUAGEM

30/05 - PROVA NP2

06/06 - PROVA SUB

13/06 - Preparação para exames

20/06 - EXAME


27/06 - Revisão de provas e exames


SÍNTESE DA MATÉRIA

B1

COMERCIAL DE TELEVISÃO

ELIN, Lerry. LAPIDES, Alan. Ed. Bossa Nova


Os comerciais de televisão e as pessoas que o produzem


Em 1964, o presidente Lindon Johnson enfrentou o candidato republicano Barry Goldwater em uma campanha para a presidência que, até o dia da eleição, parecia girar inteiramente em torno da questão sobre a melhor maneira de se vencer a guerra do Vietnã.


A agência responsável pela propaganda política de Johnson na televisão foi a Doyle Dane Bernbach (DDB)


Tony Schwartz, um especialista na criação de trilhas sonoras, por sua conta própria, pôs em prática uma ideia que iria ressaltar a relutância de Johnson quanto ao uso de armas nucleares.


O comercial de televisão criado para a campanha presidencial de Lindon Johnson em 1964 ficou conhecido como Comercial da Margarida.


Um comercial de televisão é somente parte daquilo que integra o plano de propaganda que, por sua vez, é parte do mix de comunicação.


É uma forma de arte, um gênero de filme, e um fenômeno de caráter sociocultural e deve ser entendido como uma ferramenta que ajuda a alcançar um objetivo específico de marketing.


Em síntese, é uma poderosa forma de comunicação.


Os anunciantes, as agências de propaganda e as produtoras trabalham em conjunto na criação e produção de comerciais, sendo que cada um possui papéis e responsabilidades específicas nesses processos.


Na criação e produção de comerciais, eles seguem processos testados e aprovados ao longo do tempo.


Tipos de comerciais existentes: o comercial voltado para vendas, o comercial voltado para a construção de imagens e os anúncios de utilidade pública.


A veiculação dos comerciais pode ser nacional, regional ou local.


A mensagem central de um comercial é a ideia que deve permanecer na mente do público, após tê-lo assistido.


O importante na criação de um comercial é determinar e investigar o público-alvo, e utilizar esse conhecimento na criação do conceito e do tema.


Na criação de um comercial, a abordagem criativa que carrega em si a mensagem do comercial constitui o conceito e o tema.

A linguagem visual na criação de um comercial é formada pelo conjunto de técnicas que os produtores utilizam para interpretar ou executar a abordagem criativa.


O COMERCIAL DE TELEVISÃO

Larry ELIN e Alan LAPIDES – Ed. Bossa Nova

O que é um comercial de televisão

O comercial de televisão é um filme de curta duração, bastante persuasivo, que é exibido aos espectadores durante o espaço de tempo que há entre um programa e outro, ou durante intervalos comerciais dos programas.

Existem, basicamente, três tipos:

O comercial voltado para as vendas cujo foco encontra-se nos atributos específicos do produto ou serviço. Seu objetivo é estimular a preferência pelo produto ou o desejo de adquiri-lo.

O comercial voltado para a construção de imagem, onde o foco se encontra na criação de uma aura ou imagem para o produto, serviço ou empresa anunciante.

O comercial voltado para a construção de imagens também é considerado uma espécie de propaganda que “vende uma idéia cujo objetivo é deixar no consumidor associações positivas em relação à empresa, produto ou serviço, o que eventualmente redundará em vendas.

O comercial voltado para a utilidade pública.

O foco no anúncio de utilidade pública se encontra em informar ou persuadir o público sobre algo que seja do seu próprio interesse. Seu objetivo não é comercial

Os comerciais são criados com a intenção de informar, persuadir e por fim motivar seu público-alvo à ação – o que se traduz, na maior parte das vezes, na compra de um produto ou serviço.

Os comerciais locais mais comuns são aqueles voltados para a venda, que todos nós conhecemos bem. As Lojas de móveis, alimentos, roupas e revenda de automóveis ocupam os espaços publicitários com propagandas que anunciam liquidações, novos produtos, promoções do tipo pague um e leve dois etc.

Alguns comerciais são criados com a finalidade de ajudar a estabelecer uma identidade para o anunciante, ou uma ideia acerca do produto ou serviço. Os comerciais voltados para a construção de imagem têm muito pouca relação com o anúncio das qualidades específicas de um produto. O seu objetivo é vincular a empresa anunciante ou seu produto a um dado grupo de consumidores, a um estilo de vida em particular, a determinadas tendências ou a algum evento atual específico, com o objetivo de aumentar a percepção e as associações positivas dos consumidores em relação ao anunciante ou a seus produtos.

Em regra, o comercial voltado para construção de imagem é utilizado para combater algum tipo de propaganda negativa que possa estar prejudicando a imagem do anunciante.

Ainda há muito que descobrir a respeito da mente do consumidor, no entanto, notamos que os comerciais voltados para a construção de imagem estão superando aqueles voltados para as vendas, especialmente em nível nacional. Por exemplo, um comercial das batatas Pringles.

Em nível nacional e local, diversas propagandas políticas são primordialmente voltadas para a construção de imagem e criadas para retratar um candidato sob determinada ótica, embora não apresentem necessariamente propostas específicas. Propagandas desse tipo têm o objetivo de consolidar a imagem de um candidato como aquele que é duro no combate ao crime, que luta pelos trabalhadores com o objetivo final de ganhar o voto dos espectadores.

Stephanie Miner foi eleita para a câmara municipal de Syracuse, uma cidade do estado de Nova York, por influência de uma campanha onde as propagandas políticas construíram sua imagem “uma verdadeira lutadora” em assuntos como o crescimento dos empregos, a melhoria de vida na periferia e da educação. Segundo a agência ParkRow Campaign Management, responsável pela criação e produção das propagandas de Miner, o desenvolvimento dessa estratégia de criação e mídia deve-se às seguintes razões:  O slogan “Uma verdadeira lutadora”. Esse slogan foi criado “pelo fato de Stephanie ser jovem e, assim, desejarmos retratá-la como alguém motivada e eficiente para a função”.

Nas propagandas de Miner foram usadas pessoas comuns devido Stephanie possuir muitos eleitores com quem já havia discutido vários temas tratados pelas propagandas. Seu depoimento daria mais autenticidade e causaria maior impacto.

A criação da campanha de Miner possuía apenas 15 segundos.

Alguns comerciais são anúncios de utilidade pública, que se diferenciam da típica propaganda de lançamento de um novo produto ou de construção de sua imagem pelo fato de sua mensagem ser, em geral, voltada para o bem-comum, não se destinando a servir os interesses do próprio anunciante. Já os anúncios de utilidade pública podem promover campanhas do tipo: vacinação, eleições, eventos assistenciais, campanhas de alfabetização, cuidado com o meio ambiente etc.

De modo geral, os anúncios de utilidade pública são criados por organizações sem fins lucrativos, que se dedicam a projetos ou movimentos financiados normalmente por indivíduos, ou por seus próprios membros, fundações ou doações de empresas.

Em geral, as propagandas políticas são voltadas para a construção de imagem e criadas para deixar na mente do eleitor uma idéia ou percepção positiva sobre o candidato.

O comercial de televisão é apenas uma parte do plano de comunicação que, na maioria dos casos, utiliza também outras formas de propaganda, inclusive propaganda impressa, outdoors e anúncio na internet.

Propaganda é uma forma de comunicação que também engloba a promoção de vendas, a venda pessoal, as relações públicas e a publicidade.

Dentro daquilo que é denominado mix de comunicação, podemos definir propaganda como uma forma de comunicação de marketing na qual a exposição à mídia é planejada, criada e paga.

A comunicação (promoção) por sua vez é um dos famosos quatro Ps de marketing: produto, praça (canais de distribuição), preço e promoção (comunicação). O planejamento e as questões ligadas à produção de um comercial de televisão, especialmente quando se trata de um comercial para um produto de grande consumo, ocorrem após a definição de um grande esquema montado para a divulgação da marca e do plano de marketing.

A propaganda feita na parte externa de transportes coletivos, como ônibus (bus door) ou metrô é chamada de Propaganda de trânsito.

Os principais anunciantes em todo tipo de mídia, inclusive na televisão são as empresas envolvidas na fabricação de produtos voltados para o consumidor.

Empresas tradicionais como Johnson & Johnson, Nabisco, General Motors, Microsoft, Procter & Gamble e Philip Morris, elaboram uma estratégia anual de marketing para cada uma de suas marcas, sendo que cada qual é anunciante de diversas marcas.

O ponto de partida da empresa é uma análise da performance passada de cada marca específica e uma comparação com sua performance atual. Traça-se um perfil do consumidor de cada marca em termos demográficos, etnográficos e psicográficos.

A estratégia de marcas surge do posicionamento do produto, de sua distribuição, preço e comunicação. Pode ser considerada como um grande esquema que contém os objetivos mais elevados da empresa e orienta as decisões que são tomadas no nível mais tático do mix de comunicação.

O mix de comunicação de um produto inclui a promoção de vendas, cujos exemplos são a venda conjunta com outros produtos, a propaganda do produto em filmes e programas de televisão, displays no ponto de venda, sorteios e assim por diante.

Anunciantes que vendem produtos e serviços em escala nacional, como por exemplo, automóveis, margarinas, ou viagens aéreas, precisam alcançar um público de massa. Em geral, esses comerciais de veiculação nacional aparecem nas grandes redes de televisão e atingem em conjunto aproximadamente 100% de audiência.

Os espaços nas redes nacionais de televisão, em termos de gastos com mídia, representam a maior categoria da propaganda de televisão, com uma cifra de aproximadamente 18 a 45 bilhões gastos no ano de 2001.

Os comerciais veiculados em escala nacional também aparecem em canais de televisão a cabo e atingem 80% de audiência.


COMERCIAL DE TELEVISÃO

ELIN, Lerry. LAPIDES, Alan. Ed. Bossa Nova

Os componentes básicos de um comercial

São cinco os componentes básicos de todos os tipos de comerciais, quer sejam de veiculação nacional, regional ou local, ou ainda voltados para a venda, para a construção de imagens ou para anúncios de utilidade pública: o público-alvo, a mensagem, o conceito, o tema e a linguagem visual.

Todos os comerciais apresentam uma mensagem central voltada para uma audiência específica. Essa mensagem é apresentada de forma temática, embutida em uma história ou algo do tipo.

O tema surge a partir do conceito de criação e, em função do comercial ser constituído por uma parte visual e outra sonora.

A história é contada por meio de uma linguagem visual – que conta com o uso competente de técnicas como o enquadramento, a composição, os melhores ângulos de câmera, a iluminação, o movimento, a edição de imagens, o ritmo, o som e outras técnicas de harmonia e estética.

O uso da linguagem visual é normalmente conhecido como a interpretação ou a execução do conceito.

Dos vários critérios utilizados pelo anunciante na criação de um comercial, sobretudo de televisão, o público-alvo é considerado um dos mais importantes.

O público-alvo é um grupo de pessoas que o anunciante definiu como os consumidores primários de seu produto ou serviço.

Os demais critérios são a natureza e os benefícios do próprio produto, a estratégia da marca, a concorrência e as forças de mercado e os fatores sociais econômicos em geral.

O público-alvo não orienta somente as decisões referentes à mensagem central, ao conceito de criação e seu tema, e à execução da linguagem visual. Ele orienta as pessoas responsáveis pela compra de mídia quando e onde o comercial deverá ser veiculado.

Todo comercial tem uma mensagem única e abrangente que já foi designada por meio desta expressão: proposição única de venda (Unique Selling Proposition ou USP).  John Phillip Jones, autor e especialista em comerciais afirma que a USP está mais voltada para aquilo que as pessoas extraem de um anúncio do que para aquilo que o criador nele coloca.

O conceito é o ponto de partida da criação para o desenvolvimento do tema, para a redação do roteiro, para a criação do storyboard, e para os processos posteriores de filmagem e edição do comercial.

O tema consiste na abordagem adotada pela criação – a apresentação do conceito em termos de estilo, história e estrutura.

Chamamos de low-angle-shot quando a câmera é colocada em uma posição mais baixa, apontando para cima. Dessa forma, o objeto filmado parece estar numa posição superior e dominante.

O COMERCIAL DE TELEVISÃO

Larry ELIN, Alan LAPIDES – Ed. Bossa Nova

O Comercial de Televisão na Sociedade

Para a maioria dos espectadores, o comercial de televisão já se tornou parte da programação normal, sendo que vieram a aceitar o fato de que durante quase todos os programas, e às vezes até mesmo nos melhores momentos, o programa é interrompido e aparece na tela um comercial.

O comercial está tão integrado à programação da televisão que sua aparição, na verdade, contribui para proporcionar um certo ritmo aos programas.

A estrutura dramática dos programas feitos para a televisão é bem diferente da estrutura utilizada no teatro ao no cinema, por exemplo, justamente em função da finalidade de se ajustar à interrupção provocada pelo comercial.

Os comerciais são parte integrante da programação de televisão e são vistos por milhões de espectadores.

Diferentemente dos programas que interrompem, os comerciais de televisão de veiculação nacional são mostrados em diversas redes de televisão ou canais a cabo ao mesmo tempo, dia após dia, por várias semanas ou meses.

Alguns comerciais exercem tamanha influência sobre a população, que fica fácil imaginar porque pessoas com hábitos tão diferentes possam, de repente, estar cantarolando o mesmo jingle ou se lembrar com facilidade dos chamados slogans ou bordões de um comercial.

Na verdade, são raras as pessoas que não conseguem completar as sentenças a seguir – todas elas são famosos bordões de comerciais já veiculados:

Se é Bayer, é BOM.

Tomou Doril, A DOR SUMIU.

Se a marca é CICA, BONS PRODUTOS, INDICA.

Skol, a cerveja QUE DESCE REDONDO.

A questão para o estudante de hoje é a seguinte: Quais são os comerciais dos quais você se lembrará daqui a vinte anos? Por quê? Alguns deles conseguiram mudar sua maneira de pensar, seu comportamento ou a imagem que tem de si mesmo?

Existem comerciais que são feitos para uma única veiculação, como por exemplo, os comerciais apresentados durante o Super Bowl, a final de um torneio de futebol americano que é assistida por aproximadamente 300 milhões de pessoas em todo o mundo.

Na verdade, existe uma competição entre os comerciais apresentados durante o Super Bowl que já se tornou tão conhecido quanto o próprio jogo em si e, algumas vezes, até mais divertida.

No dia seguinte ao jogo, alguns jornais e shows de televisão comentam os melhores comerciais.


B2

O COMERCIAL DE TELEVISÃO

Larry ELIN, Alan LAPIDES – Ed. Bossa Nova

Um Fenômeno Sociocultural

Os comerciais de televisão são um fenômeno sociocultural.

Seus defensores alegam que os comerciais têm caráter informativo e educacional.

Seus críticos defendem que os comerciais são prejudiciais e provocam um consumismo sem lógica.

Ambos os argumentos podem estar dando mais crédito aos comerciais, no que se refere ao seu poder de persuasão e de provocar mudanças, do que na verdade eles merecem.

Grande parte daquilo que os comerciais são capazes de fazer e alcançar é algo evidente em si mesmo.

Ao mesmo tempo em que os comerciais refletem as tradições culturais da sociedade, também as difundem para um público de massa.

Habitantes de outras regiões ou pessoas de diferentes grupos socioeconômicos são expostos a alguns elementos da cultura popular, pela primeira vez, ao vê-los em um comercial de televisão de veiculação nacional.

Os comerciais podem ser criados e produzidos em um espaço de tempo relativamente curto.

Eles agem como um barômetro instantâneo que medem nosso temperamento nacional.

Os comerciais de televisão introduzem novos costumes e, nesse processo, acabam por derrubar velhas barreiras sociais.

O comercial do grupo de defesa do meio-ambiente, Keep America Beautiful, que retrata um índio chorando, tornou-se um dos comerciais mais memoráveis de todos os tempos.

É apontado como responsável por despertar em todo o país o movimento em defesa do meio-ambiente.

Podemos dizer que os comerciais veiculados nos dias de hoje, demonstram uma mudança drástica nas tradições sociais.

O COMERCIAL DE TELEVISÃO

Larry ELIN & Alan PAPIDES

Ed. Bossa Nova

Lições sobre persuasão

A indústria de comercial de televisão tem amadurecido e aprendido certas lições:

Quais os tipos de temas e conceitos de criação que são eficazes.

Como melhor utilizar a linguagem visual na comunicação.

A utilização de formas angulares provoca uma reação positiva em seus entrevistados transmitindo uma ideia de algo resistente, forte, potente e dinâmico.

Formas curvilíneas provocam uma reação contrária.

Forma de uma estrela é mais apreciada em termos de reação positiva.

Formas angulares utilizadas no design do cenário de um comercial para um produto, transmite ideia de força, potência e dinamismo.

Conceitos também utilizados no design do produto, da embalagem e representações gráficas associadas.

ROTEIRO DE CINEMA E TELEVISÃO

Flavio de CAMPOS – Ed. Zahar

Vida, história e narrativa

A necessidade de distinguir narrativas sobre pessoas de narrativas sobre personagens levou o autor a usar os termos “história” e “estória”. O cinema chama o resumo da estória que se vai narrar num roteiro de argumento.

Fio de estória é o percurso que um incidente ou uma sequência de incidentes traça dentro de uma massa de estória.

Massa de estória é o incidente ou conjunto de incidentes imaginados.

Narrativa é o produto da percepção, interpretação, seleção e organização de alguns elementos de uma estória.

É à massa de estória que você se refere quando diz: “ Tenho “uma estória para contar, mas nem sei por onde começar”.

ROTEIRO DE CINEMA E TELEVISÃO

Flavio de CAMPOS – Ed. Zahar

Perceber, inferir e imaginar

Elementos de percepção são aqueles percebidos por quem teve acesso à massa da estória.

Elementos de inferência são os consequentes ou inferidos a partir dos elementos percebidos.

Elementos de imaginação são aqueles imaginados a partir dos elementos anteriores.

O escritor inglês Rudyard Kipling, diz: “Durante toda a minha vida, tive sete amigos que me ensinaram tudo o que sei”: Quem, O quê, Onde, Quando, Por quê, Para quê e Como.

ROTEIRO DE CINEMA E TELEVISÃO

Flávio de CAMPOS – Ed. Zahar

Imaginar uma estória

Em geral, os fios de uma estória são imaginados como as teias de aranha são tecidas. Eles provêm do cerne da estória que se quer narrar, são ditados pelo imaginário que se possui e são balizados pelo imaginário das pessoas para quem se escreve.

No início do capítulo IX da sua Poética, Aristóteles afirma que “a diferença entre o dramaturgo (‘o poeta trágico’) e o historiador existe.... porque o historiador relata o que aconteceu e o dramaturgo, o que poderia ter acontecido, segundo as leis da probabilidade e da necessidade”.

Em seu livro Adventures in the Screen Trade, William Goldman nos lembra a invasão do Palácio de Buckingham, empreendida na sexta-feira 9 de julho de 1982 por um certo Michael Fagan, que, de tantas coincidências e facilitações involuntárias, se fosse matéria imaginada, seria descartada por improvável inverossímil.

O trabalho de verossimilhança tem por foco o imaginário do espectador.

Uma das técnicas mais eficazes para você estimular a sua imaginação e balizar a verossimilhança do que imaginou é perguntar, a cada passo da geração da sua estória, “ E se...?” Constantin Stanislavsky chamou essa técnica de “O Mágico Se”.

“E se...?” é um estímulo à imaginação de hipóteses e seus desdobramentos, e à aferição da probabilidade e da necessidade dessas hipóteses e desdobramentos.

A imaginação de uma estória culmina num fio de estória, com começo, meio e fim.

Personagem é a representação de pessoas ou conceitos na forma de uma pessoa ficcional.

Em uma estória, incidente é um termo clássico da dramaturgia que designa um evento gerado por ação de personagem.

Personagem, incidente, cena e fio de estória são elementos, digamos, materiais de uma estória. Premissa e tema são elementos conceituais que geram ou emanam de uma estória. Por essa razão, quando você parte de uma premissa ou de um tema, o próximo passo é encontrar um elemento de estória que lhe forneça, digamos, matéria.

ROTEIRO DE CINEMA E TELEVISÃO

Flávio de CAMPOS – Ed. Zahar

Narrador, ponto de vista e ponto de foco

Ponto de foco é tudo que atrai o foco do narrador ou de um personagem.

O principal ponto de foco da estória é o ponto que atrai o foco principal dos personagens.

Ponto de vista é o lugar e a postura a partir dos quais o narrador ou um personagem percebe e interpreta os pontos de foco da estória.

Numa narrativa jornada o personagem principal se lança no mundo e age a fim de atingir um objetivo e, com isso, recuperar o sossego perdido.

Numa narrativa ritual o personagem principal tem seu mundo invadido por uma ação que ele deve assimilar, a fim de se transformar e, com isso, recuperar o sossego perdido.

O narrador é um recurso da narrativa que, a partir de um ponto de vista, percebe, interpreta, seleciona, organiza e, por fim, narra os elementos que selecionou de uma massa de estória.

Seis pontos de vista onde você pode colocar o seu narrador:

1.Acima da estória.

2. Do lado do personagem principal.

3. Do lado de personagem secundário.

4. Dentro do personagem principal.

5. Dentro do personagem secundário.

6. Voltado para dentro dele mesmo.

Câmera subjetiva é a materialização mais explícita de narrador dentro de personagem. 

Para a composição e recepção de uma narrativa é extremamente importante definir o principal ponto de vista do narrador.


A vasta massa de estória de uma novela e seus elementos dramáticos pedem ponto de vista de cima. 

A narrativa lírica impõe ponto de vista dentro de personagem ou de narrador.

ROTEIRO DE CINEMA E TELEVISÃO

Flávio de CAMPOS – Ed. Zahar

Gêneros de estória e gêneros de narrativa

A indústria de cinema e TV costumam classificar as estórias em dois grandes gêneros: Drama e Comédia.

No ano de 360 a.C., Platão distinguia o gênero dramático (mimese ou “imitação”) do gênero épico (diegese ou “narrativa pura”, relato). O gênero dramático Platão definia como aquele em que o poeta fala por outra pessoa, assimilando-lhe o estilo, ou seja, imitando essa pessoa.

O gênero épico é narrativa pura porque o poeta está presente em toda a narrativa e jamais se omite dela, ou seja, relata, sem jamais imitar a pessoa sobre a qual fala.

O gênero lírico foi conceituado no início do século 17, pelo teórico espanhol Francisco Cascales.

Se o principal ponto de foco do seu narrador é ele mesmo, se ele prioriza o pronome de primeira pessoa, “eu”, para exibir-se no presente, ele vai gerar uma narrativa lírica.

Se o principal ponto de foco do seu narrador é o jogo das ações entre personagens que contracenaram uns com os outros através dos pronomes de segunda pessoa “tu” e “vos” – ou de suas variantes “você” e “vocês”, será gerado uma narrativa dramática.

O tempo verbal de uma narrativa é definido pela relação entre o tempo em que o narrador está e o tempo em que está a estória que ele narra.

Na frase “Oh! Que saudades que tenho/ Da aurora da minha vida”, estória e narrador estão no mesmo tempo, no presente: o narrador tem saudades e narra isso, ao mesmo tempo. Ao narrar, naquele momento presente, ele gera uma narrativa lírica.

O narrador lírico percebe as subjetividades e narra de dentro de si ou de um personagem.

O narrador épico percebe as subjetividades e narra de fora do personagem.

O narrador dramático percebe as subjetividades e narra apenas as ações exteriorizadas a partir delas.

Os gêneros de narrativa se diferenciam uns dos outros não só pela forma como narram, mas também pelo conteúdo, pelos elementos que percebem e narram.

O ponto de foco que o lírico percebe e narra é, principalmente, a subjetividade dos personagens.

O épico percebe e narra, principalmente, uma fatia de vida, isto é, um determinado conjunto de incidentes vividos pelos personagens.

O dramático percebe e narra, principalmente, o jogo de ações entre personagens e as revelações decorrentes disso.

ROTEIRO DE CINEMA E TELEVISÃO

Flávio de CAMPOS – Ed. Zahar

Ação. Atividade ou fala gerada por elemento de estória; vetor de força que impulsiona um personagem.

Ação dramática. Ação cujo objetivo principal é motivar reação de outro personagem.

Adaptação. Transposição de uma estória para outro tempo, lugar, formato ou gênero.

Alívio cômico. Incidente usado para aliviar, com comédia, a tensão e a dor.

Analista de texto ou analista de estória. O mesmo que leitor.

Antagonista (do grego antí, “contrário”, e agonistés, “combatente”). Personagem dramático que antagoniza outro personagem.

Anti-herói. Personagem que reúne traços de vilão e função de herói; personagem errado, talvez feio e um pouco mau, com quem nos identificamos e por quem torcemos. Por exemplo, o Carlitos, de Charles Chaplin.

Aparte. Fala curta que, dada à parte, é ouvida apenas pelo espectador.

Apresentação. Segmento da narrativa que apresenta o universo e o tempo da estória, seus personagens centrais, o que e como será narrado.

Argumento. O mesmo que sinopse.

Bloco de capítulos. Num programa de TV, o conjunto de capítulos semanais ou mensais.

Bloco de cenas. Num programa de TV, o conjunto de cenas entre os intervalos comerciais.

Bordão. Fala ou expressão frequentemente repetida por um personagem.

Cabeçalho. Rubrica que informa o número da cena, o lugar onde ela se dá, se esse lugar é no interior de um cenário ou no exterior, a céu aberto, e se a cena se dá de dia ou de noite. Por exemplo: CENA 25. CASA DE DIRCEU. SALA. INTERIOR. DIA.

Câmera objetiva. Quando a câmera se identifica com o olho de um narrador que não é personagem nem está voltado para dentro de si.

Câmera Subjetiva. Quando a câmera se identifica com o olho de um personagem ou de um narrador voltado para dentro de si.

Cena. Segmento de um incidente que, delimitado por um lugar, o narrador narra.

Cena Acessória. A cena que, colhida de incidente acessório, complementa e conecta cenas essenciais.

Cena Essencial. A cena que, colhida de incidente essencial, o narrador considera indispensável, obrigatória, essencial. Cena essencial alicerça uma trama, ao mesmo tempo em que muda o seu rumo e o seu ritmo. O mesmo que Cena Obrigatória.

Cena Obrigatória. O mesmo que Cena Essencial.

Clímax. Ponto culminante de uma ação, fala, cena, incidente, trama ou narrativa. Numa narrativa dramática, é o segmento em que o protagonista enfrenta o confronto decisivo.

Código Narrativo. Conjunto de convenções, técnicas e estratégias de narrativa.

Complicação. Numa narrativa dramática, o segmento em que o protagonista age com o objetivo de solucionar um problema que progressivamente se complica.

Conflito. Jogo de ações que se dá através de embate; embate entre personagens.

Coro. Personagem ou grupo de personagens cuja função principal é comentar incidentes ou veicular premissas. Por exemplo, os coros das tragédias gregas, os “filósofos” bêbados do teatro de Tchekhov ou as fofoqueiras das novelas de TV.

“Corta Para”. Rubrica que indica troca simultânea entre uma imagem e a seguinte.

Corta Rápido Para”. Rubrica que indica haver continuidade imediata entre uma fala ou imagem e a fala ou imagem seguinte.

Corte. Troca instantânea entre uma imagem e a seguinte.

Corte de Continuidade”. “Corte Descontínuo”. Ou “Corta Descontínuo Para”. Rubrica que indica elipse de tempo da cena.

Costura. Conexão entre uma cena e a seguinte ou entre um segmento de cena e o seguinte.

CRISE – O mesmo que situação limite.

DESFECHO – Segmento que encerra um incidente, uma sucessão de incidentes ou uma narrativa.

DEUS EX MACHINA – Elemento imotivado que surge numa narrativa a fim de redirecionar uma trama ou solucionar um problema.

DIÁLOGO – Troca de falas.

DILEMA – Conflito interno de um personagem.

DRAMÁTICO – Gênero de narrativa no qual o narrador principalmente mostra os jogos de ações entre personagens.

ELEMENTO DE ESTÓRIA – O que o narrador pode colher numa estória, a fim de compor uma narrativa.

ELIPSE – Omissão de elemento de estória.

EMBLEMA – Elemento de estória que informa época, lugar, classe ou função social.

ÉPICO – Gênero de narrativa no qual o narrador principalmente relata o que ocorreu com personagens.

EPIFANIA – (Do grego epipháneia, “manifestação”, “revelação”). Revelação da essência de uma realidade; por extensão, a narrativa dessa revelação.

EPÍLOGO – Variação ou complemento do desfecho, no qual a estória é recapitulada e, às vezes, uma premissa é explicitada.

ESCADA – O mesmo que PERSONAGEM-ESCADA.

ESCALETA – Descrição resumida das cenas de um roteiro, na sua sequência.

ESTICOMITIA – Troca muito rápida de falas.

ESTILO – Forma como um narrador narra uma estória.

ESTÓRIA – Incidente ou conjunto de incidentes imaginados; o que daí se narra. O mesmo que MASSA DE ESTÓRIA.

ESTÓRIA FUTURA – A que ocorre depois da estória que se narra.

ESTÓRIA PREGRESSA – (Em inglês, backstory). A que ocorre antes da estória que se narra.

ESTRANHAMENTO – Termo da retórica clássica que designa o efeito causado no espectador por algo muito inesperado. O grau do inesperado distingue estranhamente de surpresa.





Evento – O mesmo que INCIDENTE. Alguns roteiristas restringem o termo “evento” a incidente que envolve muitos personagens, como uma festa, um funeral ou um comício.

Fábula – O mesmo que ESTÓRIA.

Fabulação – O processo de imaginação de uma estória.

“Fade In” – Clareamento gradual da imagem, a partir do escuro total; a rubrica que indica isso.

“Fade out” – Escurecimento gradual da imagem, até o escuro total; a rubrica que indica isso.

Fait Divers – Narrativa ficcional de incidente da vida real.

Fala – Emissão oral verbal.

Fala dramática – Fala cujo objetivo principal é motivar a reação do outro personagem.

Fala em off – Fala emitida por personagem presente na cena, mas fora (em inglês, off) da imagem. Diferente da voz em off, uma fala em off pode ser ouvida pelos personagens da cena.

Fio de estória – Percurso que um incidente ou uma sequência de incidentes traça dentro de uma estória.

Flashback – Exibição (em inglês, flash) de incidente que ocorreu antes (em inglês, back) do que se narra. O que a retórica clássica chama de “analepsis”.

Flashforward – Exibição (em inglês, flash) de incidente que vai ou pode ocorrer adiante (em inglês, forward) do que se narra. O que a retórica clássica chama de “prolepsis” ou de “anticipatio”.

“Freeze” ou “Congela” – Rubrica que indica que a imagem se paralisa, “congela”; essa imagem realça o que exibe.

“Funde com” – Rubrica que indica fusão de imagens ou de sons.

Fusão – Imagem ou som que se funde com a imagem ou o som seguinte; imagem ou som que se dissolve enquanto outro brota no seu lugar. Fusão indica ligação entre os elementos mostrados.

Gancho – Interrupção da narrativa na expectativa de um incidente.

Gradação – Variação do ritmo da narrativa, da intensidade da ação e/ou da evolução dos incidentes. O que a retórica chama de “gradatio”.




Happy End – (Do inglês, “final feliz”). Final feliz de uma história.

Herói – Personagem correto, justo, audaz, talvez bonito, mas com certeza atraente e bom. Personagem com quem nos identificamos, por quem torcemos e que queremos ver vitorioso e feliz.

Hipertipo – Personagem-tipo que emana de conceitos culturais fundamentais. Quatro dos exemplos mais proeminentes entre nós são Cinderela, a significar ascensão cultural e social, Narciso, a significar a paixão por si mesmo, Fausto, a paixão por matérias mundanas e Don Juan, a manipulação de sentimentos e aparências.

História – Incidente ou conjunto de incidentes reais que fornecem elementos a uma narrativa. O que daí se narra.

Húbris (ou Hýbris) – Conceito apolíneo que significa (e condena) arrogância, ofensa a limite, excesso.

Ideologia – Conjunto de conceitos cristalizados com certezas.

Idioleto – A língua conforme ela é usada por uma pessoa ou personagem. O “dialeto” de uma pessoa ou personagem.

Incidente – O que incide, ocorre, acontece. Termo clássico da dramaturgia que designa um evento gerado por ação de personagem – por exemplo, Tom Doniphon mata Liberty Valance – ou não – por exemplo, chove.

Incidente Acessório – O incidente que complementa e conecta incidentes essenciais. Roland Barthes chamou incidente acessório de “catálise” (catalyse) e Seymour Chatman, de “satélite” (satellite).

Incidente Essencial – O incidente que, essencial para a narrativa, tem de ser narrado. Um incidente essencial alicerça uma trama, ao mesmo tempo em que muda o seu rumo e o seu ritmo. Roland Barthes chamou incidente essencial de “núcleo” (noyau) e Seymour Chatman, de “cerne” (kernel).

Índice – Elemento de estória ou recurso de narrativa que indica o que vai ocorrer ou o que ocorreu. O mesmo que “indício”.

Insert – Incidente muito curto inserido numa cena de outro incidente. Flashback ou flashforward muito curto.

Ironia Dramática – Quando um ou mais personagens percebem apenas o significado aparente de um incidente e o espectador percebe tanto o significado aparente quanto o real.

Jogo de Ações – Troca de ações entre personagens, com o objetivo de motivar a reação uns dos outros; a troca de ações dramáticas.

Legenda – Texto escrito sobre fundo neutro ou sobreposto a imagens; texto, geralmente situado na parte inferior da tela, que traduz para outra língua aquilo que os personagens, o narrador ou os letreiros dizem; o equivalente escrito da voz over; recurso épico que põe o narrador em contato direto com o espectador – e apenas com ele.

Leitor – Técnico em narrativa para a tela que lê, analisa e avalia sinopses e roteiros. O mesmo que analista de texto ou analista de estória.

Letreiro – Texto inscrito num cenário, locação ou objeto de cena. Um letreiro se dirige ao espectador e aos personagens.

Lírico – Gênero de narrativa no qual o narrador principalmente exibe o que ocorre na subjetividade de um personagem.

Loci ( do latim locus-i) – Os sete “lugares” do pensamento que o fabulador e o narrador devem preencher,a fim de imaginar uma estória e compor uma narrativa sem lacunas de informação. São eles: quem, o quê, por quê, para quê, onde, quando e como.

Mapa de Personagens – Representação gráfica das relações entre os personagens de uma narrativa.

Massa de Estória – O mesmo que Estória.

Melodrama (do grego melos e drama, “drama cantado”) – Drama que narra emoções desmedidas, distribui personagens de forma maniqueísta e faz uso de clichês – como o filho que retorna à mãe, a plebeia que se torna rica e os amantes que se reencontram.

Metáforas – Figura de retórica na qual um termo é usado no lugar de outro, com o qual mantém relação de similaridade. Por operar com elementos conceituais, a metáfora é essencial a narrativas ditas românticas, simbolistas ou expressionistas.

Metalinguagem – Quando a linguagem fala da própria linguagem – como em “casa tem quatro letras”. Por extensão, quando o narrador fala da narrativa ou mostra os seus recursos – por exemplo quando o narrador fala para o espectador: “Filme chato não?”, ou quando mostra uma câmera filmando um incidente da estória.