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Criação Publicitária - Teoria e Prática

Site do Prof. Omar Carline Bueno

08/08 - Aula inaugural / Plano de Ensino / Bibliografia / Disciplinas On line/DPs / APS / ED / AtC / Escolha do representante / Montagem das agências / Revitalização de logo da agência e defesa (as rafes serão aprovadas em sala - levar material para criação) / Sorteio dos produtos/serviços a serem trabalhados / Criação de marca e logo e defesa (as rafes serão aprovadas em sala - levar material para criação)


15/08 - FERIADO MUNICIPAL


22/08 - (DATA SHOW e SOM) - UMA INTRODUÇÃO À HISTÓRIA DO DESIGN01 - R, CARDOSO - Ed. Edgard Blücher - Introdução - História e design / Olhar o passado do ponto de vista presente / Toda história é uma construção / O argumento iconográfico - UMA INTRODUÇÃO À HISTÓRIA DO DESIGN02 - R, CARDOSO - Ed. Edgard Blücher - Introdução - A Natureza do Design / A origem imediata da palavra design / A origem remota da palavra design / Design, arte e artesanato têm muito em comum / O primeiro emprego da palavra designer / O emprego da palavra designer / O que o designer gráfico faz (Vídeo)

29/08 - Apresentação da logo de agência revitalizada e respectiva defesa / Apresentação de marca e logo de produto/serviço e respectiva defesa (cada integrante da agência deve apresentar uma ideia) 1ª Parte

05/09 - (DATA SHOW + SOM) - Apresentação da logo de agência revitalizada e respectiva defesa / Apresentação de marca e logo de produto/serviço e respectiva defesa (cada integrante da agência deve apresentar uma ideia) 2ª Parte / UMA INTRODUÇÃO À HISTÓRIA DO DESIGN03 - R, CARDOSO - Ed. Edgard Blücher - Industrialização e Organização Industrial, séc. 18 e 19 - Revoluções industriais e industrializações / Revolução Industrial / A primeira Revolução Industrial / Surto Industrial / Um mercado suficientemente grande / Bloqueio à Europa / Eric Hobsbawm / Os primórdios da Organização Industrial / Mercado de luxo


12/09 - Entrega da arte-final da revitalização da logo da agência em prancha rígida padrão e defesa em book / Entrega da marca e logo de produto/serviço em prancha rígida padrão e defesa em book (1ª Parte) / Criação de Display (as rafes serão aprovadas em sala - levar material para criação)


19/09 - (DATA SHOW + SOM) - Entrega da arte-final da revitalização da logo da agência em prancha rígida padrão e defesa em book / Entrega da marca e logo de produto/serviço em prancha rígida padrão e defesa em book (2ª Parte) / UMA INTRODUÇÃO À HISTÓRIA DO DESIGN04 - R, CARDOSO - Ed. Edgard Blücher - Industrialização e Organização Industrial, séc. 18 e 19 - Primórdios da Organização Industrial / Fabricar não é função do Estado / Eixo central do comércio europeu / Consolidação dos Estados da Europa / Fabricação de armas / Manufaturas reais / A fábrica de Gobelins / Um polo centralizador / Charlês Le Brun / O papel de inventeur / O projeto (l'idée)


26/09 - Apresentação de layout de display (cada integrante deverá apresentar uma ideia) / Assessoria e orientação.


03/10 - PROVA B1


10/10 - UMA INTRODUÇÃO À HISTÓRIA DO DESIGN05 - R, CARDOSO - Ed. Edgard Blücher - Industrialização e Organização Industrial, séc. 18 e 19 - Expansão da Organização Industrial / A industrialização / Novas estratégias de organização / Transição da fabricação oficinal para a industrial / A divisão de tarefas / A produção em série / O potencial técnico / Divisão de trabalho / A mecanização / O valor monetário do projeto / Lucros imensos / A máquina para impressão contínua / A mecanização / Sistema mecanizado de fabricação de armas de fogo / Fabricar com peças inteiramente uniformes / A contribuição dos armamentos para a industrialização incipiente / Métodos industriais de fabricação / Evolução industrial / Padronização / Métodos de produção / A liderança do mercado / Técnicas mecanizadas / A fabricação de móveis


17/10 - (DATA SHOW) - Entrega do display em tamanho 1X1 / UMA INTRODUÇÃO À HISTÓRIA DO DESIGN06 - R, CARDOSO - Ed. Edgard Blücher - Design e Comunicação no Novo Cenário Urbano, séc.  19 - Formação da Comunicação Visual Moderna /  O processo de industrialização / Crescimento urbano / A população do Rio de Janeiro aumentou / Taxa de crescimento de 1 milhão de habitantes / Transformações profundas / Nova experiência urbana / O trabalho assalariado / Pessoas capazes de consumir / Impressos de todas as espécies / A difusão da alfabetização / O conceito do lazer popular / Consumo e lazer /


24/10 - (DATA SHOW e SOM) - Lojas de departamentos / Modernidade / Criação de veículos impressos novos / Produção de impressos / O aperfeiçoamento da fundição mecânica de tipos metálicos / O processo de impressão / Prensa a vapor de König / Oferta de impressos mais baratos / A mecanização da impressão / O papel do designer gráfico / O marco da história gráfica nacional / Evoluções no campo da reprodução de imagens / Técnicas aperfeiçoadas para uso comercial e industrial / Importantes periódicos / Período fértil de inovações / Histórias e imagens / História em quadrinhos / Novidades que aumentassem as vendas / Comics modernos / Estudo de veículos e das linguagens / UMA INTRODUÇÃO À HISTÓRIA DO DESIGN07 - R, CARDOSO - Ed. Edgard Blücher - Design e Comunicação no Novo Cenário Urbano, séc.  19 - Formação da Comunicação Visual Moderna - A imagem e a fotografia / Processo de fixar imagens / Câmara escura / Experimentos atingiram seu ápice / Exposição positiva / O uso do negativo / O daguerreótipo / Chegada ao Brasil / Privilégio de poucos usuários / Fotografia mais acessível / Processo de colódio / Introdução de câmeras baratas / Obstáculos tecnológicos / Impressão fotomecânica / A fotogravura / Fotografia em P&B / O impacto inicial da fotografia / Indícios da influência fotográfica / Um novo modo de ver o mundo / Pré-rafaelismo e Realismo / Pré-rafaelismo britânico / Realismo francês / Influência de valores fotográficos / Gravura em metal ou madeira / A História da Fotografia (Vídeo)


31/10 - UMA INTRODUÇÃO À HISTÓRIA DO DESIGN08 - R, CARDOSO - Ed. Edgard Blücher - Design e Comunicação no Novo Cenário Urbano, séc.  19 - O Design na intimidade / A expansão da circulação de imagens e impressos / O barateamento de produção de impressos / Produtos comuns / O surgimento das classes médias / Hieróglifos sociais / Identidades / O trabalho dos designers individuais / A criação de projetos / A personalização do design / Moradia como indicador do status / Profissional para o projeto / O designer como profissional liberal / Diferenciar a casa de moradia / Grandes investimentos / Uso da arquitetura e da arte / Nouveau Riche / Dinheiro sem bom gosto / Surpresas desagradáveis / Instabilidade das relações sociais


07/11 - ENCOMUN


14/11 - PROVA B2


21/11 - Preparação para Exame


28/11 - PROVA SUB


05/12 - EXAME


12/12 - Revisão de Provas, Faltas e Exames


19/12 - Fim do semestre letivo

SÍNTESE DA MATÉRIA

B1

UMA INTRODUÇÃO À HISTÓRIA DO DESIGN

CARDOSO, R. - Ed. Edgard Blücher



Introdução


História e design


A obrigatoriedade do historiador de olhar o passado do ponto de vista presente leva a outro problema da análise histórica: a consciência prévia do que veio depois.


Toda história é uma construção e, ao construir, é necessário escolher os materiais a serem empregados e rejeitar outros.


Ao contrário de outros tipos de história, em que as imagens podem servir apenas de ilustração ou ponto de apoio para o texto, o argumento iconográfico deve ser entendido aqui como igualmente significativo do que o escrito.


A natureza do design


A origem da palavra está na língua inglesa – design se refere tanto à ideia de plano, desígnio, intenção, quanto à de configuração, arranjo, estrutura.


No latim designare, verbo que abrange ambos os sentidos, o de designar e o de desenhar.


Design, arte e artesanato têm muito em comum e hoje, quando o design já atingiu uma certa maturidade institucional, muitos designers começam a perceber o valor de resgatar as antigas relações com o fazer manual.


O primeiro emprego da palavra designer registrado pelo Oxford English Dictionary data do século 17.


O emprego da palavra permaneceu infrequente até o início do século 19, quando surge um número considerável de trabalhadores que já se intitulavam designers na indústria têxtil.


UMA INTRODUÇÃO À HISTÓRIA DO DESIGN

 

CARDOSO, R. Uma introdução à história do design. Ed. Edgard Blücher.

 

Revoluções industriais e industrialização.

 

Na Europa entre os séculos 18 e 19 aconteceram uma série de transformações nos meios de fabricação, profundas e decisivas, conceituadas como o acontecimento econômico mais importante desde o desenvolvimento da agricultura. Essas mudanças ficaram conhecidas como Revolução Industrial

 

A Revolução Industrial buscava chamar a atenção para o impacto tremendo que certas mudanças exerceram sobre a sociedade, o qual só encontrava eco na ruptura radical com o passado efetuada pela Revolução Francesa.

 

A primeira Revolução Industrial ocorreu na Inglaterra.

 

Sabe-se que foi na fabricação de tecidos de algodão que o grande surto industrial primeiro se verificou, com um aumento de cerca de 5.000% da produção entre as décadas de 1780 e 1850. O que pressupõe um crescimento tão impressionante é um mercado suficientemente grande para absorver todo esse volume e um retorno crescente que justifique a expansão rápida da oferta.

 

A Grã -Bretanha deteve um quase monopólio do comércio exterior europeu entre 1789 e 1815, em função do seu claro domínio naval e do bloqueio que impôs à Europa continental durante as guerras napoleônicas.

 

Eric Hobsbawm definiu a industrialização como um sistema que passa a gerar demanda em vez de apenas suprir a existente.

 

Pode-se dizer que no século 18 já existia em alguns países da Europa uma classe consumidora numerosa que detinha um forte poder de compra e que já começava a exigir bens de consumo mais sofisticados. Nesse mercado de luxo se encontram os primórdios da organização industrial.


UMA INTRODUÇÃO Á HISTÓRIA DO DESIGN

CARDOSO, Rafael. Ed. Edgard Blücher

 

Industrialização e organização industrial, séculos 18 e 19

 

Primórdios da organização industrial

 

Nestes tempos privatizantes o que se pode afirmar com certa freqüência é que fabricar não é função do estado.

 

Do ponto de vista histórico, a produção industrial vem sendo exercida continuamente por estados nacionais desde o início da industrialização. Na acepção moderna da palavra pode-se dizer que a indústria é uma invenção do setor estatal.

 

Entre os séculos 16 e 17, o eixo central do comércio europeu transferiu-se do Mediterrâneo para o Atlântico. Um dos principais resultados dessa transformação foi a consolidação dos estados nacionais na Europa.

 

A fabricação de armas e de construção naval foram as primeiras manufaturas a serem monopolizadas.

 

Na França, sob Luis XIV, com seu superintendente de construções Jean-Baptiste Colbert foi iniciado o sistema mais completo de manufaturas reais.

 

Além das fábricas existentes que produziam vidros e tapeçarias para o rei, o sistema desenvolveu-se principalmente em torno da manufatura real de móveis da coroa – ou, a fábrica de Gobelins – fundada em 1667. A idéia de Colbert era criar um pólo que centralizasse toda a espécie de oficinas fabricando artigos para mobiliar os edifícios reais, a fim de racionalizar essa produção e fortalecer a hegemonia francesa na área.

 

Especialmente interessante, do ponto de vista do design, foi a atuação do pintor Charles Lê Brun, nomeado diretor da fábrica por Colbert. Entre suas tarefas Lê Brun exercia o papel de inventeur, ou criador das formas a serem fabricadas. Ele concebia o projeto (l’idée) para um objeto e gerava um desenho, o qual servia de base para a produção de peças em diversos materiais pelos mestres-artesãos em suas oficinas.


B2


UMA INTRODUÇÃO À HISTÓRIA DO DESIGN

Rafael CARDOSO – Ed. Edgard Blücher

 

Industrialização e organização industrial, século 18 e 19

 

Expansão da organização industrial

 

A industrialização passou rapidamente para outros setores e menos rapidamente para outros lugares. Ao longo do século 19, além do Brasil, França, Estados Unidos e Alemanha se industrializaram em maior ou menor grau.

 

Com base nas novas estratégias de organização do trabalho e no crescente ritmo de inovação tecnológica, grandes fábricas foram tomando aos poucos o lugar das pequenas oficinas. Estas últimas permaneceram numerosas e passaram a representar a minoria do volume produtivo nos países industrializados.

 

Um dos aspectos mais interessantes da transição da fabricação oficinal para a industrial foi o uso crescente de projetos ou modelos como base para a produção em série.

 

Já existia uma convicção clara de que a divisão de tarefas permitia acelerar a produção através de uma economia do tempo gasto em cada etapa. O economista escocês Adam Smith criou o exemplo clássico desse princípio em 1776; a versão de uma fábrica de alfinetes imaginária que ele usou para ilustrar os méritos do trabalho dividido.

 

A produção em série, a partir de um projeto, representava aos fabricantes uma economia não somente de tempo, mas também de dinheiro.

 

O potencial técnico de repetir padrões em grande escala e de produzir peças mais ou menos uniformes foi revolucionado pela aplicação de máquinas a vapor a diversos processos de fabricação e pela introdução das primeiras máquinas-ferramentas de precisão, ambas efetuadas na Inglaterra entre o final do século 18 e o início do século 19.

 

Na década de 1830, dois dos mais importantes pensadores, Andrew Ure e Charles Babbage, vieram sofisticar a análise de Adam Smith sobre divisão de trabalho.

 

Quem lucrava de fato com a mecanização era a categoria incipiente dos designers. À medida que a produção se mecanizava em alguns setores, o valor monetário do projeto ia se tornando ainda mais explícito. A impressão mecânica de na indústria têxtil significava que um padrão decorativo bem-sucedido podia gerar lucros imensos para o fabricante, sem nenhum investimento adicional de mão-de-obra.

 

As máquinas para impressão contínua de padrões sobre o papel ou tecido, de um tipo patenteado na década de 1830, também serviam para imprimir decalques para serem aplicados na decoração de louças e outras cerâmicas.

 

Por diversas razões, a mecanização foi invocada em alguns países como política consciente e sustentada, ora como medida anti-sindicalista, ora como questão de segurança nacional. O governo dos Estados Unidos estimulou, ativamente, durante o século 19, o desenvolvimento de um sistema mecanizado de fabricação de armas de fogo.

 

A proposta do inventor americano Eli Whitney no final do século 18 foi fabricar mosquetes com peças inteiramente uniformes e, portanto, trocáveis.

 

A contribuição dos armamentos para a industrialização incipiente é notável em quase todos os países, inclusive no Brasil. O papel exercido pelo Arsenal de Guerra e o Arsenal de Marinha da Corte (Rio de Janeiro) teve acentuada liderança na introdução de métodos industriais de fabricação.

 

Alemanha e Japão marcaram sua evolução industrial no século 19 dando o apoio contínuo e sistemático dos seus governos à indústria nacional através de políticas explícitas de subvenção da produção e proteção do mercado interno.

 

Apesar das origens armamentistas do conceito industrial o exemplo mais elucidativo da padronização como elemento organizador da produção está na indústria de máquina de costura.

 

A Wheeler and Wilson foi a primeira empresa a assumir a liderança do mercado, cujo sucesso se deve diretamente à apropriação de métodos de produção oriundos das fábricas de armas fogo.

 

A Singer Manufacturing Company fundada em 1851 alcançou a liderança do mercado ultrapassando as vendas da Wheeler and Wilson em 1867.

 

O marceneiro alemão Michael Thonet desenvolveu durante as décadas de 1830 a 1840 uma série de técnicas mecanizadas para moldar e curvar varas de madeira usando vapor e pressão.

 

No Brasil, onde a fabricação de móveis era mais limitada surgiu uma fábrica produzindo em grande escala, a Moreira Carvalho e Cia., no Rio de Janeiro.


UMA INTRODUÇÃO À HISTÓRIA DO DESIGN

Rafael CARDOSO – Ed. Edgard Blücher Ltda.

 

Design e comunicação no novo cenário urbano, século 19

 

Formação da comunicação visual moderna

 

O processo de industrialização acarretou mudanças muito mais amplas que a simples transformação dos métodos primitivos. Ocorreu no século 19 um crescimento urbano até então inédito na história da humanidade, com números cada vez maiores de pessoas fazendo uso de novos meios de transporte para irem às cidades em busca de empregos.

 

Nos oitenta anos que separam a chegada de D. João VI ao Brasil e a abolição da escravidão, a população do Rio de Janeiro aumentou cerca de seis vezes, chegando a 300 mil.

 

Por volta de 1800 a 1850 respectivamente, as capitais mundiais como Londres e Paris, também tiveram uma taxa de crescimento as quais ultrapassaram o marco de um milhão de habitantes.

 

Esse aumento da quantidade de indivíduos vivendo em um pequeno espaço ocasionou transformações profundas na natureza das relações entre eles. As pessoas começavam a deslocar de casa para o trabalho viajando na companhia de estranhos em transportes como ônibus e o bonde, característicos da nova experiência urbana.

 

O trabalho assalariado colocava ao alcance de um público maior, possibilidades até então restritas a pequenas elites. O que ocorria com as economias de eventuais sobras de salário é que aumentava o número absoluto de pessoas capazes de consumir mais do que apenas os gêneros de consumo nas faixas média e baixa do mercado.

 

Entre as mercadorias cujo consumo mais se expandiu no século 19, podemos citar os impressos de todas as espécies.

 

A difusão da alfabetização nos centros urbanos propiciou um verdadeiro boom do público leitor. O anseio de ocupar os momentos de folga deu origem à outra invenção da era moderna: o conceito do lazer popular que desenvolveu-se em estreita aliança com abertura de uma infraestrutura cívica composta por museus, teatros, locais de exposição, parques e jardins.

 

Consumo e lazer acabaram por se fundir durante o século 19. O resultado dessa fusão foi o animado espetáculo das grandes lojas de departamentos.

 

O fervilhamento no meio do grande fluxo de pessoas e paisagens, o delicioso, mas deprimente anonimato no seio da multidão, a impossibilidade de assimilar todas as imagens e todas as informações, a afetação do tédio diante do desconhecido ou inesperado: são sensações como estas que caracterizam a ”modernidade”, identificada pelo poeta e crítico francês Charles Baudelaire na década de 1860.

 

Diversos avanços de ordem tecnológica vieram juntar-se nessa época à ampliação do publico leitor, possibilitando não somente a expressão de meios tradicionais como livros e jornais, mas também a criação de veículos impressos novos ou pouco explorados anteriormente como: cartazes, embalagens, catálogos e revistas ilustradas.

 

Com a introdução de máquinas no processo de fabricação, o papel foi se tornando aos poucos uma mercadoria abundante e barata, possibilitando a produção de impressos por um preço até então impensável em função do alto custo do próprio suporte.

 

O aperfeiçoamento da fundição mecânica de tipos metálicos facilitou a produção de letras de maiores dimensões e variedade, além de propiciar a criação de fontes novas como o Clarendon e os primeiros tipos sem serifa.

 

Talvez a mais significativa dentre as novas tecnologias tenha sido a introdução da prensa cilíndrica a vapor de König por volta de 1812, o grande marco nas pesquisas intensivas para mecanizar o processo de impressão.

 

Na Europa, o resultado dessas inovações foi uma expansão dramática da oferta de impressos mais baratos após 1830, com subsequentes reduções de custos ao longo das décadas seguintes.

 

A mecanização da impressão contribuía sob duas formas para multiplicar os lucros da firma impressora: primeiramente, aumentava a produtividade e, em segundo lugar, diminuía a despesa com mão-de-obra especializada.

 

O papel do designer gráfico adquiria um valor redobrado, pois o critério principal que distinguia a qualidade dos impressos passava a não ser mais a habilidade da execução gráfica, mas a originalidade do projeto e, principalmente, das ilustrações.

 

A atuação do desenhista, jornalista e editor Ângelo Agostini na Vida Fluminense, publicada entre 1868 e 1876, e na Revista Ilustrada publicada entre 1876 e 1896, constitui-se em um marco fundamental da história gráfica nacional.

 

Além das novas tecnologias para impressão de texto, outro fator decisivo para a expansão do mercado para produtos gráficos foram as evoluções importantíssimas no campo da reprodução de imagens.

 

Ao uso secular da xilogravura – o que havia ganhado uma nova popularidade no final do século 18 – vieram juntar-se a litografia (sobre pedra e sobre zinco) e a gravura em metal sobre chapas de aço, técnicas aperfeiçoadas para uso comercial e industrial durante o século 19.

 

Surgiram entre 1830 e 1880 alguns dos mais importantes periódicos do século 19 como Lê Charivari e L’illustration na França ou o Illustrated London News na Inglaterra.

 

Umas das linguagens visuais, que viria a se tornar característica do século 20, teve também o seu início nesse período fértil de inovações. Algumas revistas ilustradas passaram a veicular diversos tipos de histórias em imagens, geralmente constituídas de uma sequência de quadros com algum encadeamento visual, encimando um pequeno texto narrativo.

 

A verdadeira história em quadrinhos, tal como é conhecida hoje – com o texto inserido dentro do quadro desenhado, geralmente por intermédio de balão, personagens recorrentes e um alto grau de figuração narrativa – só iria aparecer na década de 1890 nos Estados Unidos.

 

Na busca constante de novidades que aumentassem as vendas, o jornal New York World, de propriedade de Pulitzer, passou em 1893 a publicar uma página a cores no seu suplemento dominical.

 

Foi no New York Journal, de propriedade de Hearst, que surgiu em 1897 a tira que marcaria o início dos comics modernos – os Katzenjammer Kids (publicada no Brasil com o título Os Sobrinhos do Capitão), de Rudolph Dirks.

 

Talvez o aspecto mais surpreendente no estudo dos veículos e das linguagens desenvolvidos nessa época seja a existência de importantes variações nacionais e regionais.

 

A primeira marca registrada de que se tem conhecimento, no Brasil foi rapé Areia Preta.